Adicção, A.A., N.A., Doze Passos, Reflexões, Literatura, Clínica, Comunidade, Espiritualidade

LITERATURA DE ALCOÓLICOS E NARCÓTICOS ANÔNIMOS, OS DOZE PASSOS, REFLEXÕES, CLÍNICAS, COMUNIDADES, ESPIRITUALIDADE. ESPERO COM ESSAS MATÉRIAS, ESTAR COLABORANDO COM ALGUÉM, EM ALGUM LUGAR, EM ALGUM MOMENTO DE SUA VIDA !

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

ADMISSÃO X RENDIÇÃO: "DIFERENÇAS"

A palavra “admitir” no primeiro passo é insuficiente, é preciso distinguir entre submissão e rendição. No primeiro caso, um indivíduo aceita a realidade consciente, mas não no subconsciente. Ele aceita como fato pratico que momentaneamente não pode derrotar a realidade, mas espera que um dia vá vencer, o que implica na falta da autoaceitação e presença de tensão. Por outro lado, quando um indivíduo se rende, a habilidade de aceitar a realidade funciona num nível inconsciente e a tensão desaparece. O importante além de admitir, é se render ao fato de que somos completamente impotentes a quaisquer substâncias que alterem o humor. Ao primeiro uso de quaisquer dessas substâncias, já somos empurrados para o fundo-do-poço. E de lá só sairemos quando nos prontificarmos a nos render total e incondicionalmente. Precisamos fazer qualquer coisa que nos livre da obsessão impiedosa.
Talvez não sejamos culpados pela nossa doença, mas certamente somos responsáveis por mantê-la estacionária.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS - UMA VISÃO ESPIRITUAL.

Jesus, se hoje pudesse enviar uma mensagem para a humanidade, com certeza ela seria mais ou menos assim: “Estou pairando no ar, levitando sobre a cabeça de todos vocês, distribuindo a paz, a luz e a esperança em todos os lares”, mas não posso dizer isso, porque estarei mentindo. Não estou levitando nas nuvens da esperança, como gostaria. Estou ombro a ombro com a mãe que espera o filho e me chama em alta noite, tendo por companhia a apreensão e o relógio, cujo tique-taque é uma punhalada em seu coração; estou ao lado da esposa e dos filhos, que muitas vezes têm de enfrentar o terror da fome, porque o companheiro ou o pai é um joguete nas mãos de um traficante, estou ao lado da autoridade que busca a droga, muitas vezes expondo a própria vida para que a sociedade não morra a cada instante, estou à frente da mãe que muitas vezes é esbofeteada pelo filho, desejando que ela lhe satisfaça o vicio. Estarei sempre do outro lado da vida, com os braços levantados em direção ao pai, pedindo a ele que nos dê forças para gritar: Corram da droga! Ela é um ácido que queima, deforma e mata! Corram é para os braços de um Poder Superior e encontrem Nele a força para sempre dizer “não” aos tóxicos!
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quarta-feira, 4 de outubro de 2017

COMO O ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS LESAM O CÉREBRO.

Hoje, o jovem está encontrando tudo com muita facilidade. Tem uma vida privilegiada, com doze anos já dirige veículos e frequenta as famosas festas de embalo. As crianças e os jovens estão envelhecendo prematuramente, desde cedo já vivem em festinhas. Com o passar dos anos tudo é rotina, não houve descoberta. Levados pelo cotidiano, buscam algo que os leve a viver situações diferentes.
A droga é um alucinógeno repleto de surpresas; se o drogado tivesse uma reação idêntica, todos os dias, ele se cansaria do tóxico. Mas não, ela, ao chegar ao organismo, faz com que o dependente sinta aquilo que busca, com o passar do tempo a mesma quantidade já não faz mais o mesmo efeito por isso aumentam as doses dia após dia. O homem ao se drogar, espera atingir uma satisfação que não encontra em seu estado normal.
A região frontal do cérebro, responsável pela formação do juízo e ondas de retorno, governa todas as manifestações nervosas, centro de força mental. O diencéfalo, centro de força coronário, fixa conhecimentos, virtudes morais, compreensão. Aqui se encontra a consciência de cada indivíduo. Ele supervisiona os demais centros de força e lhes transmite os impulsos vindos da mente como um todo. É dele que partem as decisões. Aglutina, transmite e dissemina energias do córtex cerebral para funcionamento equilibrado do sistema nervoso. Ele é majestoso e de grande poder; é concentração das forças psíquicas e físicas do ambiente da vida. Irradia energias vitalizadoras e correntes magnéticas. Portanto, é máquina poderosa que, quando violentada por pensamentos ou ideias estranhas ou, algo forte como o tóxico, faz com que o cérebro trabalhe com sobrecarga, muitas vezes causando serias lesões.  O tóxico age no sistema nervoso central, composto pelo cérebro e pela medula espinhal, centro esse formado por vários bilhões de células nervosas denominadas neurônios, que se comunicam entre si por meio de mensageiros químicos, denominados neurotransmissores. A droga, ao penetrar no cérebro, interfere diretamente nas transmissões desses neurotransmissores, esmagando cada célula, que possui vida própria. Estas, ao serem atingidas, fazem com que o viciado sinta sensações novas e nunca idênticas. Mas morrem... pouco a pouco também. À medida que vão aumentando as doses, o viciado apresenta uma doença cerebral orgânica, dificuldade de concentração, agitação ou prostração, perda de memória, 
falando pastosa ou pausadamente e muitas vezes uma dilatação dos ventrículos.  O cérebro de um dependente apresenta-se alterado. Por isso ele nada teme, quando a droga já tomou conta, lesando-lhe o cérebro enquanto o uso persistir. Atingido esse estágio, não há cura mas a doença pode ficar estacionaria.
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terça-feira, 26 de setembro de 2017

ANÁLISE SOBRE RECAÍDA E A IMPORTÂNCIA DO GRUPO

Muita gente pensa que a recuperação é apenas uma questão de não usar drogas. Consideram a recaída um sinal de fracasso completo, e os longos períodos de abstinência, um sucesso total. 
O programa de recuperação, classifica essa ideia demasiada simplista.  Depois de um membro ter tido algum envolvimento com a irmandade, uma recaída pode ser uma experiência impressionante e provocar uma aplicação mais rigorosa do programa.  Da mesma forma, alguns membros se mantêm abstinentes durante longos períodos, mas a desonestidade e auto-engano os impedem de desfrutar completamente a recuperação e a aceitação na sociedade. A melhor base para o crescimento, no entanto, ainda é a completa e contínua abstinência, o trabalho conjunto e a identificação com outros adictos nas reuniões. 
Embora todos os adictos sejam basicamente do mesmo tipo, o grau da doença e o ritmo da recuperação diferem de indivíduo para indivíduo. Às vezes, uma recaída pode estabelecer a base para uma completa liberdade. Outras vezes, só é possível alcançar essa liberdade através de uma vontade inflexível e obstinada de ficar limpo, aconteça o que acontecer, até passar a crise. Um adicto que, por qualquer meio, consegue superar, pelo menos por um tempo, a necessidade ou o desejo de usar, tem livre escolha sobre seus pensamentos impulsivos e ações compulsivas, atingiu um ponto que pode ser decisivo para a sua recuperação. Às vezes, esse é o ponto crítico da sensação da verdadeira independência e liberdade. A possibilidade de sairmos do programa e de voltarmos a controlar nossas próprias vidas é algo que nos atrai, mas parece que sabemos que o que temos hoje são resultados da fé num Poder Superior e o fato de darmos e recebermos ajuda por empatia.  Muitas vezes, em nossa recuperação, os velhos fantasmas ainda nos perseguem. A vida pode voltar a ser monótona, aborrecida, e sem sentido. Podemos nos cansar fisicamente de repetir nossas novas ideias, e podemos nos cansar fisicamente com nossas novas atividades, mas sabemos que, se não as repetirmos, certamente voltaremos aos nossos velhos hábitos. Se não usarmos o que temos, provavelmente, perderemos. Frequentemente, essas ocasiões são os períodos de maior crescimento para nós. Nossas mentes e corpos parecem cansados de tudo. Mesmo assim, as forças dinâmicas da verdadeira mudança, bem dentro de nós, podem estar agindo para nos dar as respostas que alteram nossas motivações internas e mudam nossas vidas. A nossa mente é a recuperação através da vivência dos doze passos, não a mera abstinência física. Nosso crescimento exige esforço e, como não há maneira de se incutir uma ideia nova numa mente fechada, tem que haver uma abertura. Como só nós mesmos podemos fazer isso, precisamos reconhecer dois dos nossos inimigos inerentes: a apatia e a procrastinação. Nossa resistência à mudança parece arraigada, e somente uma explosão nuclear provocará alguma mudança, ou iniciará um novo curso de ação. Se sobrevivermos a ela, a recaída poderá representar o detonador do processo de demolição. Uma recaída ou, às vezes, a morte de algum conhecido íntimo pode nos despertar a necessidade de uma vigorosa ação pessoal. Tem-se visto adictos chegarem à irmandade, experimentarem o programa e manterem-se limpos durante um período de tempo. Com o tempo, alguns adictos perderam o contato com outros adictos em recuperação e acabaram voltando à adicção ativa. Esqueceram que é realmente a primeira droga que inicia o ciclo mortal novamente. Tentaram controlar, usar com moderação, ou usar apenas certas drogas. Nenhum destes métodos de controle funciona para adictos. A recaída é uma realidade. Pode acontecer e realmente acontece. A experiência demonstra que, quem não trabalha o programa de recuperação, diariamente, pode recair. Vimos eles voltarem em busca de recuperação. Talvez tivessem estado limpos, durante anos, antes de recaírem. Se tiveram sorte o bastante de conseguirem voltar, estarão muito abalados. Eles nos dizem que a recaída foi mais horrível do que o uso anterior. Nunca vimos uma pessoa que vive o programa, recair. As recaídas são frequentemente fatais. Já fomos a enterros de pessoas queridas que morreram de uma recaída. Morreram de várias maneiras. Muitas vezes, vemos pessoas recaídas, perdidas, durante anos, vivendo na miséria. Aqueles que acabam em prisões ou instituições podem sobreviver e, talvez, sejam reapresentados ao grupo. Em nossas vidas diárias, estamos sujeitos a quedas emocionais e espirituais, que nos tornam indefesos contra a recaída física com o uso de drogas. Por ser a adicção uma doença incurável, adictos estão sujeitos a recaídas. Nunca fomos forçados a recair. É nos dado uma escolha. A recaída nunca é acidental. A recaída é sinal de que temos reservas para com nosso programa. Começamos a negligenciar o programa e deixar brechas em nossas vidas diárias. Sem perceber as ciladas à nossa frente, tropeçamos cegamente na crença de que podemos conseguir por nós mesmos. Mais cedo ou mais tarde, caímos na ilusão de que as drogas tornam a vida mais fácil. Acreditamos que as drogas, tornaram mais fácil a vida. Acreditamos que as drogas podem nos modificar, e esquecemos que estas mudanças são mortais. Quando acreditamos que as drogas resolverão nossos problemas e esquecemos o que elas podem fazer contra nós, estamos realmente em apuros. Se as ilusões de que podemos continuar a usar ou parar de usar sozinhos não forem estilhaçadas, estaremos certamente assinando a nossa própria sentença de morte. Por alguma razão, o descuido de nossos afazeres pessoais diminui a nossa autoestima e estabelece um padrão que se repete em todas as áreas das nossas vidas. Se começarmos a evitar as nossas novas responsabilidades, faltando a reuniões, negligenciando o trabalho do décimo-segundo passo, ou não nos envolvendo, nosso programa para. Coisas deste tipo nos levam à recaída. Possivelmente, sentimos uma mudança acontecendo em nós. Nossa capacidade de manter a mente aberta desaparece. É possível que fiquemos com raiva ou ressentimentos com tudo e com todos. Possivelmente, começamos a respeitar as pessoas mais chegadas. Nós nos isolamos. Cansamos de nós mesmos em pouco tempo. Voltamos aos padrões de comportamento mais doentios, mesmo sem ter que usar drogas. Quando um ressentimento ou qualquer outra reviravolta emocional ocorre, a falta da prática dos doze passos pode resultar numa recaída. O comportamento obsessivo é um denominador comum para pessoas adictas. Não gostamos de estar errados, mas precisamos lembrar-nos de onde viemos e que a nossa doença ficará progressivamente pior, se usarmos. É aí que precisamos da irmandade. Esquecemos que hoje temos uma escolha. E ficamos mais doentes. Focalizamos qualquer coisa que não está indo de nossa maneira e ignoramos toda a beleza em nossas vidas. Sem nenhum real desejo de melhorar as nossas vidas, ou até mesmo de viver, apenas nos afundamos cada vez mais e mais. Alguns de nós nunca conseguiu voltar. Às vezes vemos o nosso comportamento passado como parte de nós mesmos, e como parte de nossa doença. Damos novamente o primeiro passo, as coisas melhoram e pensamos que não precisamos realmente deste programa. A petulância é um sinal vermelho. A solidão e a paranoia voltarão.  As coisas pioram. Damos o primeiro passo de verdade, desta vez interiormente. Haverá momentos, no entanto, em que sentiremos realmente vontade de usar. Precisamos lembrar-nos de onde viemos e que, desta vez, será pior. Quando esquecemos o esforço e o trabalho que tivemos para conseguir um período de liberdade em nossas vidas, logo vem a falta de gratidão, a autodestruição começa novamente. Se não agimos logo, corremos o risco da recaída. Mantendo nossa Ilusão da realidade, em vez de usar as ferramentas do programa, retornaremos ao isolamento. A solidão nos matará por dentro e as drogas, que quase sempre vem em seguida, podem completar o processo. Os sintomas e sentimentos que vivemos no final do uso voltarão mais fortes do que antes. A recaída pode ser a força destrutiva que nos mata, ou a que nos leva a perceber quem e o que realmente somos. Para nós, usar é morrer em todos os sentidos.  Relacionamentos pode ser uma área terrivelmente dolorosa. Colocarmos expectativas em nós e nos outros. Fantasiamos e projetamos o que acontecerá. Ficamos com raiva se aquilo que planejamos não der certo, embora às vezes não passem de meras fantasias. Os velhos pensamentos e sentimentos de solidão, desespero, desamparo, etc. Podemos trabalhar estes sentimentos negativos, escrevendo sobre o que queremos, o que estamos pedindo, o que conseguimos, e partilhando como nosso padrinho ou outra pessoa de confiança.  Quando deixamos os outros compartilharem conosco a sua experiência, conseguimos ter esperança de que vai melhorar. Frequentando reuniões diariamente, vivendo um dia de cada vez e lendo literatura, parece que nossa atitude mental se encaminha para o positivo de novo.  A boa vontade de tentar o que funcionou para os outros é vital. Mesmo quando sentimos que não queremos frequentar reuniões, elas são uma fonte de força e esperança para nós. É importante partilhar nossos sentimentos quando temos vontade de usar. É importante lembrar que o desejo de usar passará. Não temos que usar nunca mais, independente de como nos sentimos. Todos os sentimentos acabarão passando. A progressão da doença é um processo constante, mesmo durante a abstinência. O esforço para receber ajuda é o começo de uma luta que nos libertará. Boas ideias e boas intenções não ajudam se não as colocarmos em ação. Temos que demolir os muros que nos aprisionam. A partilha honesta nos libertará para a recuperação. Somos gratos por ser bem recebidos nas reuniões. Descobrimos que o sentimento de ajudar aos outros motiva a fazer o melhor de nossas vidas. Descobrimos que dor partilhada é dor diminuída. A recuperação tem de vir de dentro, e ninguém se mantém limpo para ninguém, a não ser para si próprio.  Na nossa doença, estamos lidando com um poder violento, destrutivo e maior do que nós, que pode levar a recaída. Se tivermos recaído, é importante mantermos em mente que temos de voltar às reuniões rapidamente. É questão de tempo para que nossa traiçoeira doença, nos leve a um ponto sem retorno. Assim que usamos, estamos sob o domínio da nossa doença. Muitos de nós ficamos limpos num ambiente protegido, tal como um centro de reabilitação ou clínica de recuperação. Quando voltamos para o mundo, nós nos sentimos perdidos, confusos e vulneráveis. Indo a reuniões, com a maior frequência possível, reduziremos o choque da mudança. As reuniões proporcionam um lugar seguro para partilhar. Temos que usar o que aprendemos, ou perdemos numa recaída.  Manutenção espiritual significa recuperação contínua. As recaídas também podem cair numa outra armadilha. Podemos duvidar que possamos parar de usar e nos mantermos limpos. Nunca conseguimos ficar limpos por nossa conta. Nós nos castigamos quando voltamos ao programa. Imaginamos que nossos companheiros não respeitarão a coragem que tivemos em voltar. Aplaudimos com toda sinceridade. Não é vergonhoso recair – a vergonha está em não voltar. Uma vez que passamos limpos por um momento difícil, ganhamos uma ferramenta de recuperação que podemos usar de novo e outra mais. Se recairmos, podemos sentir culpa e vergonha. A recaída é vergonhosa, mas não podemos livrar a cara e salvar nossa pele ao mesmo tempo. Descobrimos que é melhor voltarmos para o programa o mais rápido possível. É melhor engolirmos o nosso orgulho do que morrermos ou ficarmos insanos para sempre. Agora, sabemos que a velha máxima “uma vez adicto, sempre um adicto” é mentira e não será mais tolerada, nem pela sociedade nem pelo adicto. Nós nos recuperamos, sim! A recuperação começa com a rendição. A partir daí, cada um de nós é lembrado de que um dia limpo é um dia ganho. No grupo, as nossas atitudes, pensamentos e reações mudam. Percebemos que não somos alienígenas e começamos a compreender e aceitar quem somos. Para nós, a adicção é a obsessão de usar as drogas que estão nos destruindo, seguida de uma compulsão que nos força a continuar. Buscamos a ajuda de adictos que estão desfrutando a vida livres da obsessão de usar drogas. Podemos nos manter limpos e apreciar a vida, se nos lembrarmos de viver "só por hoje". Não precisamos compreender este programa para que ele funcione. Só temos que seguir as sugestões. 

terça-feira, 19 de setembro de 2017

FUGIR DA ARMADILHA DO "Se"

Complicações emocionais com pessoas não são a única maneira de vincular perigosamente a nossa sobriedade a algo alheio. 
Jamais devemos ter a tendência de colocar outras condições à nossa sobriedade, mesmo sem intenção.
Na adicção ativa, usávamos uma porção de “se” como desculpas para usarmos as nossas drogas de preferência. 
Cada um de nós pensava: eu não estaria bebendo ou usando assim se... Se não fosse por... Se eu tivesse... e assim por diante, indefinidamente.
Deixávamos que circunstâncias alheias a nós controlassem muito de nossas vidas.
É preciso agora que estamos sóbrios, se vigiar para que o mesmo modo de pensar, cheio de “se” dos nossos tempos de adicção ativa, sem que o sintamos, penetre em nossa vida de abstenção de forma inconsciente e coloque condições à nossa sobriedade. 
Vai ser horrível pensar que a sobriedade é ótima, “se” tudo for bem, “se” nada der errado. 
A nossa recuperação tem que ser para nós, incondicional, não admitindo em hipótese alguma a presença de qualquer “se” aconteça o que acontecer.
Pode levar algum tempo para fazer penetrar essa convicção até a medula de nossos ossos.

Vincular nossa sobriedade a qualquer pessoa (mesmo a outro alcoólico em recuperação ou a qualquer circunstância é insensato e perigoso. Quando pensamos: “ficarei sóbrio se...” ou “não beberei ou usarei por causa de...” etc., involuntariamente começamos a beber ou usar tão logo a condição ou a pessoa mude. E qualquer uma delas pode variar a qualquer momento).

domingo, 27 de agosto de 2017

REFLEXÕES SOBRE O PRIMEIRO PASSO

Quase ninguém se dispõe a admitir a derrota completa; os instintos naturais gritam contra essa ideia. O álcool nos esvazia de toda autossuficiência e toda vontade de resistir às suas exigências. Só conseguimos pensar nele desde o acordar até o “desmaiar”, e não percebemos nossa falência total como seres humanos.
O álcool, além de sua propriedade viciante, possui também um efeito psicológico que modifica o pensamento e o raciocínio. Uma dose pode mudar o processo mental de um alcoólico, de modo que ele acha que pode aguentar outra, outra e outra... Para ele, viver sem o álcool é o mesmo que não ter vida.
Uma vez ingerida a primeira dose, a compulsão se desencadeia. Soberba, avareza, luxúria, inveja, ira, gula, preguiça, manipulação emocional, negação, justificativas, autopiedade e racionalizações, se tornaram para o alcoólatra como o ar que respiram.
São três as falências totais a que são submetidos os alcoólicos: “física”, o organismo passa a rejeitar o álcool; o alcoólatra tenta parar ou diminuir a quantidade mais daí, o corpo passa a exigi-lo através dos sintomas da crise de abstinência esse então, ingere o álcool para poder superar as dores desse sintoma, em doses maiores ainda, virando dessa forma um ciclo vicioso que se repete diariamente. “Mental”, é a obsessão, pensamentos ininterruptos de como vamos usar mais álcool, mesmo que isso signifique manipular pessoas, roubar, mentir, adiar um compromisso etc. “Espiritual”, a parte espiritual da doença é o total egocentrismo, o alcoólatra passa por cima de amigos, responsabilidades, pai, mãe, esposa, trabalho ou qualquer um que tente de alguma forma, impedir seu desejo incontrolável de usar mais álcool.
A palavra “admitir” no primeiro passo é insuficiente, e ele vai além da palavra “aceitar”.
Um fato deve ser observado, ou seja, a necessidade de distinguir entre submissão e rendição. No primeiro caso, um indivíduo aceita a realidade consciente, mas não no subconsciente. Ele aceita como fato pratico que momentaneamente não pode derrotar a realidade, mas espera que um dia vá vencer, o que implica a não aceitação real e presença de tensão.
Por outro lado, quando um indivíduo se rende, a habilidade de aceitar a realidade funciona num nível inconsciente e a tensão desaparece.
O ato de rendição é uma ocorrência inconsciente, não provocada pelo paciente, mesmo que ele assim o deseje.
Uma pessoa não pode simplesmente declarar que aceita qualquer coisa – senão a aceitação não é total, mas só da boca para fora. Existem palavras que descrevem essa meia aceitação, como: submissão, resignação, cessão, complacência, reconhecimento, concessão e assim por diante.
O importante além de admitir, é se render ao fato de que somos completamente impotentes perante o tirano “Rei-álcool”. No primeiro gole, ele já começa a nos empurrar para o fundo-do-poço. E de lá só sairemos quando nos prontificarmos a aceitar e escutar, como os que se encontram à beira da morte, as palavras de tantos outros companheiros que, com certeza, já passaram por esse caminho de destruição, e através de Alcoólicos Anônimos conseguiram se manter em recuperação.
Devemos nos prontificar a fazer qualquer coisa que nos livre da obsessão impiedosa, e a primeira delas, é rendermo-nos totalmente e nos conscientizar da nossa impotência perante o álcool.
Talvez não sejamos culpados pela nossa doença, mas certamente somos responsáveis por mantê-la estacionária. COMPARTILHE !!!

REFLEXÕES SOBRE O SEGUNDO PASSO

No primeiro passo, convenceram-nos de que somos alcoólicos e que nossas vidas são ingovernáveis. Havendo nos reduzido a um estado de desespero absoluto, agora nos informaram que somente um Poder Superior poderá resolver nossa obsessão. Alguns de nós se recusam a acreditar em Deus, outros não conseguem acreditar e ainda outros acreditam na existência de Deus, mas de forma alguma confiam que ele levará a cabo este milagre. Pois é, nos meteram num buraco sem saída, tudo bem, mas e agora, para onde vamos?
Alguns abrigam a ideia de que o homem, elevado tão majestosamente de uma simples e primitiva célula, é hoje a ponta de lança da evolução e, portanto, o único Deus que ele conhece.
Precisa renunciar a isto para se salvar?
Em primeiro lugar, Alcoólicos Anônimos não exige que você acredite em coisa alguma. Todos os doze passos são sugeridos. Em segundo lugar, para alcançar a sobriedade e para manter-se sóbrio, não é preciso aceitar todo o segundo passo de uma vez. em terceiro lugar, a única coisa que você realmente precisa é ter a mente aberta.
Quando deparar com Alcoólicos Anônimos pela primeira vez, você pode pensar que este negócio de Alcoólicos Anônimos é totalmente anticientífico, e simplesmente recusar-se a aceitar por considerar uma bobagem.
Os membros de Alcoólicos Anônimos seguem inúmeros caminhos a procura de fé. Se não se interessar por aquele que lhe sugerem, certamente descobrirá outro que lhe convirá, se ficar atento. Você pode começar a resolver o problema pelo método da substituição. Poderá, se quiser, considerar Alcoólicos Anônimos em si como sua força superior. Muitas pessoas, nele, resolveram seus problemas, com o álcool e, portanto, representam um Poder Superior a você, que nem sequer chegou perto da solução. Esse mínimo de fé bastará. Muitos libertados da obsessão pelo álcool, com suas vidas inexplicavelmente transformadas, chegaram a acreditar no Poder Superior, e a maioria começou a falar em Deus.
Às vezes, Alcoólicos Anônimos é aceito com maior dificuldade pelos que perderam ou rejeitaram a fé, do que pelos que nunca a tiveram, pois acham que já experimentaram a fé e não lhes serviu. Experimentaram viver com fé e sem fé e ambas as formas os decepcionaram.
A religião afirma que a existência de Deus pode ser comprovada; o agnóstico diz que não pode ser comprovada; e o ateu afirma que tem provas da inexistência de Deus. Afastado da fé, o problema é uma confusão profunda, sem qualquer crença nem alcança a convicção do crente, do agnóstico ou do ateu. Fica-se desnorteado. Ao começarmos a obter êxito material, estávamos felizes então, por que nos preocupar com abstrações teológicas e deveres religiosos, ou com o estado nossas almas na Terra e no além? Bastava-nos o aqui e agora. A vontade de ganhar nos levaria para frente. Então, o álcool começou a nos dominar. Finalmente, sem outra saída, tivemos que sair a procura de nossa fé perdida. Em Alcoólicos Anônimos a descobrimos de novo.
Há quem se julgue intelectualmente autossuficiente. Adoram ouvir as pessoas os chamar de “gênios”; inflam em balões orgulhosos; acham que podem flutuar acima dos outros utilizando apenas o poder de seus cérebros; a sabedoria é onipotente; o intelecto é capaz de conquistar a natureza. O Deus do intelecto substitui o Deus de seus pais. Porém, mais uma vez, a bebida alcoólica tem outras ideais. Eles, que tão brilhantemente haviam vencido sem esforços, converteram-se nos maiores derrotados de todos os tempos. Viram que seria necessário reconsiderar, senão morreriam. A humildade e o intelecto podem ser compatíveis, conquanto que a humildade esteja em primeiro plano. Quando começaram a entender isso, receberam a dádiva da fé, uma fé que funciona.
Outros se sentem desenganados com a religião e suas obras. A bíblia, dizem, está cheia de bobagens. Criticando as pessoas religiosas, sentem-se superiores a elas e não olham para si, para seus próprios defeitos. Esta falsa forma de respeitabilidade é uma desgraça, no tocante à fé. Contudo, compelidos ao Alcoólicos Anônimos, acabam por aprender melhor.
O desafio é a característica predominante de muitos alcoólicos, inclusive o desafio a Deus. Pedem para que Deus lhes dê tudo de bom, inclusive coisas utópicas, isso caso Ele exista, e, quando não conseguem, culpam ao próprio Deus por abandoná-los. Então se convertem em bêbados e rezam a Deus para que os salve. E nada acontece. Essa é a falha mais impiedosa de todas. “Para o diabo com este negócio de fé”, dizem.
Em Alcoólicos Anônimos conhecem o erro de sua rebeldia. A crença significa a confiança e não o desafio. Logo conhecem que a humildade é essencial para sua recuperação.
Vários são cheios de fé, embora cheirem a álcool. Eles se sentem devotos inveterados, mas se esquecem de que o mais importante é a qualidade da fé, e não o volume da prática religiosa. Esse é o ponto cego. Consideram praticar a sério suas religiões, mas são superficiais. Acreditam serem iluminados quando não o são. Confundem emocionalismo com sentimentos religiosos. Querem sempre receber sem dar. Sempre dizem: “concedei-me as coisas que eu desejo”, em vez de: “seja feita a vossa vontade”.
Alguns estarão dispostos a se classificarem de “bebedores problema”, mas não aceitarão a simples insinuação de que estão mentalmente doentes. São amparados nesta cegueira por um mundo que não compreende a diferença entre o beber racional, e o alcoolismo. A “sanidade” se define como “saúde mental”. Contudo, nenhum alcoólico analisando sobriamente seu comportamento destrutivo, poderia se considerar possuidor de “saúde mental”, caísse a destruição sobre um objeto, ou sobre sua estrutura moral. Sejamos agnósticos, ateus ou ex-crentes, podemos nos agrupar neste passo. A verdadeira humildade e a mente aberta poderão nos conduzir a fé, e toda reunião de Alcoólicos Anônimos é uma segurança de que Deus nos levará de volta à sanidade, se soubermos nos relacionar corretamente com Ele.
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sexta-feira, 25 de agosto de 2017

REFLEXÕES SOBRE O TERCEIRO PASSO



  1. Nos primeiros dois passos estivemos refletindo. Vimos que éramos impotentes perante o álcool, mas também percebemos que alguma espécie de fé, mesmo que fosse somente em Alcoólicos Anônimos, estava ao alcance de qualquer um. Essas conclusões não requereram ação; requereram apenas aceitação. Através de ação conseguimos interromper a vontade própria que sempre impediu a entrada de Deus – ou, se preferir, de um Poder Superior – em nossas vidas. Podemos ter fé, mas manter o Poder Superior fora de nossas vidas. Como deixá-lo entrar? Como entregar a vontade e a própria vida aos cuidados do Poder Superior que se pensa possa existir? O passo inicial é a boa-vontade e se libertar do egoísmo. Saber que quanto mais nos dispomos a depender de um Poder Superior, mais independentes nos tornamos. A dependência ao Poder Superior, como se pratica em Alcoólicos Anônimos, realmente é um meio de ganhar a verdadeira independência do espírito. Na vida cotidiana, é alarmante descobrir o quanto somos realmente dependentes e quão inconscientes somos dessa dependência. Toda casa moderna tem fios elétricos que levam força e luz ao seu interior. Ficamos encantados com essa dependência, nossa maior esperança é que nada possa a vir a interromper o suprimento da corrente. Aceitando nossa dependência dessa maravilha da ciência, descobrimos que somos mais independentes pessoalmente. E não somente somos independentes como também nos sentimos mais confortáveis e seguros. A força corre justamente para onde ela é necessária silenciosa e confortavelmente, a eletricidade – essa estranha energia que tão poucas pessoas compreendem – supre nossas necessidades mais simples, e as mais desesperadas também. Porém, no momento em que entra em jogo nossa independência mental e emocional, como nos comportamos diferentemente! Mantemos uma filosofia valente, na qual cada um de nós faz o papel de Deus, para nós soa muito bem, mas será que funciona mesmo? Uma boa olhada no espelho servirá de resposta para qualquer alcoólico. A autossuficiência é uma filosofia que não está dando certo e o final é a única ruína. Já sofremos o bastante e é hora de procurar os Alcoólicos Anônimos. Alguns alcoólicos rebeldes concluem que qualquer tipo de dependência é intoleravelmente prejudicial. Mas a dependência de um grupo de Alcoólicos Anônimos ou de um Poder Superior jamais produziu qualquer efeito pernicioso. Portanto, como faria um indivíduo de boa disposição para seguir entregando sua vontade e sua vida aos cuidados do Poder Superior? Não é só livrar-se da dependência do álcool, mas também arrumar toda a bagunça moral, espiritual, física e psíquica que o álcool causou. Nada poderá ser feito apenas com a sua coragem e a vontade desassistida. Certamente, chegou a hora de depender de alguém ou alguma coisa. Ao início, esse “alguém” provavelmente será seu amigo mais próximo em Alcoólicos Anônimos. A vontade humana de nada serve. Além do álcool existem muitos outros problemas que também não se vencem apenas com a força de vontade. É preciso haver boa disposição e um ato de vontade própria, um esforço pessoal contínuo para se adaptar aos princípios dos doze passos e, assim se espera, à vontade de Deus. É quando tentamos adaptar a nossa vontade à de Deus que começamos a usá-la corretamente. Para todos nós esta foi uma revelação maravilhosa. Todo nosso problema resultou do abuso da vontade. Havíamos tentado atacar nossos problemas com ela, ao invés de modificá-la, para que estivesse de acordo com a vontade de Deus para conosco. O terceiro passo abre as portas para todos os doze passos. Cada vez que aparecer um momento de indecisão ou de distúrbio emocional, podemos fazer uma pausa, pedir silêncio, e dizer simplesmente: “Concedei-me Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que posso, e sabedoria para distinguir uma das outras”. 
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sábado, 5 de agosto de 2017

IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA CONTRA DROGAS LICITAS OU NÃO

Álcool também é droga e o ponto de entrada para outras.

No início dos anos 90, o crack chegava com virulência atacando nossa juventude e matando-os sem dó. A nova droga que parece ter vindo para ficar, colecionava, como ocorre ainda hoje, centenas de adolescentes, os quais sem conhecerem o altíssimo poder das “pedras”, de gerar rápida e grave dependência, caiam vitimados, pela promessa do falso prazer. Caiam em um submundo repleto de mortes, prisões, suicídios, prostituição. Se tonavam jovens castigados por uma ansiedade fora de controle, com movimentos corporais agitados, olhos assustadiços e expressivamente magros, em alguns casos, ficavam com os ossos da face em evidência. Negavam-se a receber ajuda (como hoje se vê na cracolândia) ou quer de centros de tratamento, profissionais da área ou grupos de ajuda mútua. 
Os avanços da neurociência permitem identificar problemas bioquímicos que contribuem e muito, para levar o indivíduo portador de imperceptíveis transtornos neurológicos à severa dependência do álcool (droga lícita) sem terem esses dependentes, nenhuma doença mental. No máximo, são portadores de “desconforto mental” que os leva ao uso, para “acalmar” ou “se sentirem bem.” Alguns psicanalistas chegam a afirmar que “vivemos uma cultura tóxica”, porque nos inclinamos à dependência de alguma coisa para atenuar nossas ansiedades, que poderá ser a comida, álcool, tabaco, sexo, medicamentos e agora a internet etc.
Ponto relevante é a educação, no sentido de transmitir valores éticos-morais. Tradicionalmente, a família e as religiões cuidavam de educar as crianças e adolescentes. Hoje os pais têm transferido essa tarefa para a escola, que na verdade, tem o papel de intelectualizar o aluno. Esquecendo assim, de que o lar é o melhor educandário, porque sua lições são vivas e impressionáveis, carregadas de emoção e força. Os modelos devem ser silenciosos, falando mais pelos exemplos, pelas alegrias de viver, pelos valores comprovados, ao invés das palavras sonoras, cujas práticas demonstram o contrário.
Pesquisas apontam que 20,0% dos adolescentes matriculados nas escolas públicas bebem com frequência, o que significa “um em cada cinco alunos” faz uso do álcool. Indicadores revelam ainda que, em relação ao álcool e ao tabaco, as meninas superam os meninos no seu uso. Quanto à mudança dessa cultura suicida, o processo histórico nos indica que as alterações sócio-culturais costumam ocorrer somente depois de espalhar dores cruéis no organismo social. O toxicômano não se importa em se livrar do desejo de usar drogas, ele deseja apenas “fazer calar a sua dor.” Tanto o usuário eventual, como o dependente químico, sente na própria carne, o quanto as drogas são perigosas, mas está enredado num processo psicótico e obsessivo. O “tempo” do usuário é diferente do nosso, pois está “contaminado de velocidade” e porque perdeu a capacidade de esperar. Paradoxalmente, não tem capacidade de agir e apenas é levado pelas circunstâncias interiores e exteriores comparando-se a um zumbi. Os níveis de ansiedade são tão altos que vive a cada dia, como se fosse o último. 
A vontade de ajudar um adicto a sair da situação degradante na qual se encontra, é enorme por parte de algumas pessoas, bem-intencionadas. Porém, é necessário algumas cautelas. Posto que é alguém que está sempre buscando comover *(manipular) as pessoas, para tentar facilitar o uso . Na maioria dos casos, o dependente químico procura ajuda, para se aperfeiçoar em sua droga adição e muitos acreditam que podem descobrir um jeitinho de usar drogas sem pagar o preço das sequelas físicas, psicológicas, mentais, morais e sociais. Desse modo, em razão da complexidade do problema, o seu enfrentamento não admite amadorismos. Exige um somatório de paciência e amor, estudos sobre a personalidade humana e estrutura psicológica do adicto, sobretudo cautela e energia, para não se deixar fazer parte do jogo manipulador, tão próprio dessa enfermidade. Uma das maiores causa do uso de drogas atualmente é o isolamento. Esse isolamento impõe severa solidão, às vezes, começa dentro do próprio lar, onde vivemos acossados para atender às necessidades que nós criamos. Demoramos a perceber que nossos filhos têm sentimentos próprios e que não são projeções de nós mesmos. O silêncio prolongado, sem longas horas de internet, a porta do quarto fechada, a ciranda de festas ruidosas, “falam” dessa solidão, não de pessoas, mas de afeto e diálogo. Por isso, cabe aos pais adentrar no mundo interno do filho, para sentar no chão de sua intimidade e ali conversar com ele, para tentar descobrir as dores da sua alma. O egoísmo também está presente no adicto ao eleger o caminho das drogas. Para busca de um prazer, ignora os afetos mais caros, rompendo seus vínculos familiares e destrói-se tudo pela tentativa de fazer calar seus conflitos. Somente mais tarde vem a descobrir que perdeu a liberdade. Por certo não podemos perder de vista que se a dependência tem por base os conflitos emocionais, outros fatores não menos relevantes devem ser considerados como os defeitos de caráter (abordados nas literaturas de Alcoólicos Anônimos e Narcóticos Anônimos).
A importância da família na formação do ser é indiscutível. Não se vence a dependência de drogas sem sua efetiva e afetiva participação.
A compreensão dos pais e outros familiares, lhe surgirá como grande alívio e estímulo para “aceitar” o tratamento. Tendo em vista que a primeira reação do dependente químico é a de não reconhecer o seu problema, valendo-se dos chavões “não sou viciado, paro quando quero.” A melhor atitude da família é não se escandalizar e adotar a postura de quem vai efetivamente ajudá-lo. Somente estabelecendo um clima de confiança se poderá saber até onde e com quem o dependente químico está envolvido. Esta é a maneira mais adequada de se saber qual droga está sendo consumida, o grau de sua dependência e outros riscos. A espiritualidade, de forma ecumênica e voltada ao evangelho, é capaz de desenvolver um elo emocional com as lições e seu conteúdo ético-moral. Pouco a pouco, o dependente químico sente o despertar de uma nova consciência, que o leva para uma realidade até então desconhecida.
As drogas fazem uma “blindagem emocional” do ser, como se congelassem seus sentimentos e a mensagem do Evangelho pulveriza esse bloqueio, abrindo novas e ricas possibilidades para proporcionar uma vida sem drogas, de onde poderá emergir o homem integral.Abandonar o consumo de drogas implica na “transformação cultural”, significa também uma ”reforma íntima”. O processo de reabilitação não é simples e nem breve. Na verdade, é marcado por muitas fases, escritas com dolorosas lágrimas e rudes sofrimentos. Razão pela qual, a prevenção é o melhor caminho. A prevenção na família equivaleria a preencher os seus vazios emocionais, que muitas vezes não são detectados a tempo. Evitar o consumo, ainda que eventual, de bebidas alcoólicas em casa, porque não sabemos se um membro de nossa família traz as tendências para esse vício. “Faça o que eu digo e não o que faço” é o pior dos exemplos. Acompanhar de perto os pensamentos e atitudes de um membro da família, pode ajudar a detectar a adicção antes mesmo que ele venha a ocorrer.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A RESPOSTA ESTÁ EM NOSSA ESPIRITUALIDADE

Muitas vezes nos sentimos sem rumo, sem razão para viver, com um vazio, uma sensação de que algo está faltando ou que algo está incompleto, temos um sentimento de angústia, uma insatisfação total com a vida... Nesse momento, começamos a errar. Sem possuir a cultura e o conhecimento necessários, vamos buscar respostas em lugares errados. Vem então a ideia de que talvez fazer compras pode nos ajudar, como se coisas materiais adquiridas compulsivamente ou de forma desnecessária, trouxessem alívio para nossas dores da alma. Outra opção que nos ocorre é sair com amigos para uma noitada ou ainda nos entregarmos a atividades promíscuas, sempre em busca de uma sensação boa, de preenchimento do vazio inexplicável. Estamos no campo do “escapismo” e precisamos alimentar essas atitudes, para manter a sensação de atividade, de ação, da ideia de sermos adequados e pertencentes a algo importante, de estarmos enturmados. Alguns encontram alternativas mais perigosas, como o álcool, as drogas ou simplesmente se tornam alienados e amargurados. Não temos coragem de enfrentar essa sensação de vazio interior, não aprendemos a fazer isso. Ficamos assustados com nossas fraquezas, com nossa superficialidade e tentamos então evitar todas as maneiras de ficarmos a sós com nossos pensamentos. Há pessoas que precisam de atividade constante, rádio ou televisão ligados o tempo todo, sempre na intenção de afastar pensamentos mais profundos e questionadores. É chegado o dia. Pelo cansaço de uma vida sem sentido, por influência da família ou por alguma força interior, nos vemos forçados a parar e a refletir sobre o real sentido da vida. Começa, então, nossa busca, nossa jornada em direção à fonte. Tem início nossa peregrinação por religiões, crenças, doutrinas, seitas adivinhos ou qualquer outra coisa que nos possa ajudar, continuando nossas perguntas íntimas sem respostas adequadas. É hora de olharmos para dentro de nós mesmo. E ver até que ponto nossa espiritualidade está evoluída, o quanto está faltando para termos a paz de espírito tão necessária para nosso equilíbrio físico, psíquico e emocional. É hora de prestarmos mais atenção, a nós mesmos. Logo, não fique esperando grandes momentos para agir, nem fique apegado ao medo ou ao adiamento indefinido. Tão logo se acenda a chama da vontade em seu coração, aplique-se e faça o melhor possível por você mesmo. Uma gotinha hoje, outra amanhã é o que faz a diferença no rumo a sobriedade. Lembre-se: As torrentes que moldaram as pedras gigantes do cânion, fizeram-se das minúsculas gotículas que, por milhares e milhares de anos desempenharam sua parte sem conhecerem-se uma às outras. Se entender a comparação, entenderá também a importância de sua ação para alcançar seus objetivos de equilíbrio e não esperará, indefinidamente, as grandes correntezas.ideias para ganhar dinheiro

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

UMA VISÃO SOBRE AS DROGAS.

Autoridades de todo mundo estão preocupados, não só com os limites do tráfico de drogas, mas também com o perfil do usuário que se tem delineado nos últimos anos.
No Brasil, a maconha é a droga ilícita mais tolerada pelos mais diversos setores.
Entre as maiores escolas particulares do país, o número de expulsões relacionadas com o uso de maconha baixou; hoje, em apenas um de cada 10 casos o estudante é convidado a se desligar do estabelecimento, mais exatamente quando fuma dentro das dependências escolares.
No ranking do consumo de drogas, a maconha vem quilômetros a frente do crack, da cocaína, da heroína e do ecstasy. O dado mais impressionante, no entanto, é outro. Conforme uma tendência também observada em outros países, esse aumento é maior entre adolescentes e jovens na faixa dos 16 aos 18 anos. Consta que 13% dos jovens fazem uso da maconha no Brasil.
Há uma banalização do vício. A tolerância com o álcool e o cigarro produziu o fenômeno do “cigarrinho” e da “cervejinha”. Hoje há quem use a expressão “baseadinho”.
Preocupa ainda mais a atitude oficial de vários governos que se propõem em resolver o problema radicalmente de forma repressiva, como aconteceu na chamada “cracolândia”, reduto de traficantes e dependentes de crack no centro de São Paulo. Deve-se criar centros educativos para suprir o papel da droga na vida dos dependentes, tratando-os, por conseguinte, como uma questão social.
Ainda que o quadro seja extremamente agressivo e preocupante, na verdade os programas oficiais pouco ou nada contribuem para resgatar o dependente à sua condição humana, incutindo-lhe dignidade, autoestima, respeito, amor pela vida própria e alheia. Há ainda, entraves burocráticos que não permitem internações compulsórias e dessa forma, muito pelo contrário, prejudicam o dependente, mantendo-o na linha da convivência com o vício, a fim der evitar riscos maiores, como se o mantivessem no túnel da morte, porém, diminuindo o processo de aceleração. Morte lenta e gradual parece ser a regra.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

DOMINANDO O VÍCIO

O vício começa quando buscamos a coisa certa que é nosso prazer, no lugar errado.
Em todas as culturas e épocas os homens sentiram a necessidade de uma experiência estática, de alegria que transcende a realidade cotidiana.
O álcool, as drogas e o comportamento sexual perigoso são essencialmente reações materiais a uma necessidade que não possui realmente uma base física.

As pessoas procuram evitar a dor e sentir prazer. Se perdermos o contato com nossas fontes internas de alegria, se a felicidade que se origina fora de nós mesmos é a única que conhecemos, então essa é a experiência que iremos buscar em nós. Dependendo das circunstâncias, esse empreendimento pode ser positivo e proveitoso. Lamentavelmente, esse também pode se manifestar como o vício em suas múltiplas formas. Vivendo num mundo de dor e violência, uma pessoa poderá encontrar um tipo de escape que lhe proporcionará prazer. A repetição dessa escolha se transforma em necessidade e compulsão. Na vida de certas pessoas altamente emocionais, existe sempre uma experiência que passa a dominar todas as ações futuras enquanto o indivíduo se esforça para recriar a simulação externa desse momento único. Esta é a descrição do comportamento do vício. Depois de praticarmos uma ação específica, ela é permanentemente gravada no nosso ser, junto com seus componentes igualmente duradouros da memória e do desejo. Para tudo o que dizemos, falamos ou pensamos, uma tríade (ação – memória –desejo) é codificada em nossas mentes, e esse código simplesmente não pode ser apagado. Não devemos tentar “nos livrar” das memórias e desejos subjacentes ao comportamento do vício. Devemos nos concentrar em criar sentimentos novos e altamente positivos que ofusquem os impulsos destrutivos do vício e os tornem impotentes. Uma verdadeira camada de problemas mentais, físicos, espirituais e emocionais, isola o viciado do mundo exterior e de suas verdadeiras necessidades e sentimentos. A memória da perfeição interior, uma vez desperta, gera um desejo mais forte do que o vício em si. É o alerta espiritual. É possível recorrer à experiência da alegria que ainda está disponível. É preciso que se conheça a experiência do verdadeiro prazer para poder renunciar as sensações dos comportamentos de vício. E o primeiro passo em direção ao conhecimento da alegria é simplesmente conhecer a si mesmo. O bem estar mental, físico e espiritual é o mesmo que alegria.cupom desconto extra

terça-feira, 25 de julho de 2017

PASSOS EM FORMA DE ORAÇÃO

Oh! Senhor! Venho diante de ti suplicar humildade para admitir que sou impotente perante minha adicção e confessar que perdi o domínio sobre a minha vida. Rogo-te para devolver-me à sanidade há muito perdida. Conduz minha vontade hoje e sempre e dá-me coragem para colocar minha vida em tuas mãos. Fazei-me compreendê-Lo segundo meu entendimento. Ilumine os meus passos para que eu possa transformar o meu orgulho, amor próprio e minha luxúria em energia vital. Dê-me força para que eu aplaque minha ira, e que transforme minha gula em necessidade de alimento. Não deixe que eu sucumba diante da inveja. Permita-me que enxergue além das minhas falhas e possa fazer delas instrumento para meu aprendizado. Remova os defeitos do meu caráter. Que eu possa reparar todo o mal que pratiquei sem prejudicar a quem quer que seja. E que a partir de hoje eu possa admitir meus erros sem me sentir culpado. Que eu leve esta mensagem, Senhor, a todos aqueles que assim como eu, sofreram por não conseguir se entregar a Ti.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

VIVER O PROGRAMA E GRATIDÃO

Antes de ficarmos entusiasmados demais com a perspectiva de concluir os doze passos, devemos nos conscientizar do contrário – ainda não terminamos. Não apenas continuaremos praticando os princípios espirituais de todos os doze passos, o que muitos de nós chamam de “viver o programa”, como revistaremos, formalmente, cada um deles, provavelmente muitas vezes durante nossas vidas. Alguns de nós começam imediatamente a trabalhar os passos de novo, com a perspectiva adquirida em nossa jornada até então. Outros esperam algum tempo ou se concentram em certos aspectos dos passos seja como for, o que importa é que, toda vez que nos sentirmos impotentes perante nossa adicção, sempre que mais for revelado sobre nossas falhas ou pessoas a quem prejudicamos, os passos estão disponíveis como nosso caminho para a recuperação. Devemos nos sentir bem com relação ao que fizemos. Percorremos, em muitos casos pela primeira vez, um caminho até o fim. Isto é uma grande conquista, algo de que devemos nos orgulhar. 
De fato, uma das recompensas de trabalhar o programa de A.A. e/ou N.A. é descobrir o quanto nossa autoestima tem crescido. Descobrimo-nos participando da sociedade. Podemos realizar ações que nos pareciam impossíveis antes: cumprimentar o vizinho, o balconista do mercado local, assumir posições de liderança em nossas comunidades, participar de eventos sociais com pessoas que não sabem que somos adictos, e não nos sentirmos “menores”. 
De fato, provavelmente olhávamos com desprezo para estas iniciativas no passado, porque não nos sentíamos capazes de nos adequar; mas, agora sabemos que isso é possível, tornamo-nos acessíveis. As pessoas podem até procurar nossas opiniões e conselhos profissionais. Quando pensamos no nosso passado e no quanto a recuperação trouxe para nossas vidas, só podemos ficar repletos de gratidão. A gratidão se transforma na força que sustenta tudo o que fazemos. Nossa própria vida pode ser a expressão da nossa gratidão. Tudo depende da maneira como escolhemos viver. 
Com gratidão, cada um de nós tem algo muito especial e único a oferecer.http://img.segredosdoadsense.com/selo-adsense.gif


sexta-feira, 21 de julho de 2017

Reflexões Diárias

“A fé pode remover montanhas.” Essa expressão significa que a fé pode mudar qualquer situação no campo dos relacionamentos pessoais. Se você confia Nele, Deus lhe mostra o caminho para “remover montanhas”. Se você é humilde o suficiente para saber que sozinho pouco pode fazer para mudar a situação, se tem fé o suficiente para pedir a Deus que lhe dê a força de que você precisa e se é agradecido o suficiente para pedir a Deus que lhe dê a força de que você precisa e se é agradecido o suficiente pela Graça que Deus lhe dá, você pode “remover montanhas.” As situações mudarão para melhor, por você estar presente. A esta altura com toda a probabilidade já teremos adotado, de certo modo, medidas capazes de remover os obstáculos que mais nos prejudicam. Desfrutamos momentos em que sentimos algo parecido à verdadeira paz de espírito. para aqueles de nós que, até então, conheceram somente a excitação, a depressão ou a ansiedade, esta nova paz conquistada é uma dádiva inestimável. Estou aprendendo a soltar-me e deixar Deus agir, a ter uma mente aberta e um coração disposto a receber a Graça de Deus em todos os meus assuntos; desta maneira posso experimentar a paz e liberdade que vêm como resultado da minha entrega. Tem sido provado que um ato de entrega originado do desespero e da derrota pode crescer num progressivo ato de fé e esta fé significa liberdade e vitória.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

APRENDENDO COM OS ERROS

Na verdade, os erros são uma parte bastante vital e importante do fato de sermos humanos. 
Para pessoas particularmente teimosas, os erros são muitas vezes os melhores professores. 
Não há vergonha em cometer erros. De fato, cometer novos erros frequentemente mostra nossa vontade de nos arriscar e crescer.
Porém, aprender com nossos erros nos ajuda : Repetir os mesmos pode ser um sinal de que estamos parados. Esperar resultados diferentes dos mesmos velhos erros, bem, isto é o que chamamos “insanidade”. Simplesmente não funciona. 
Vir a acreditar que somos capazes, apesar de nossos erros, é um processo que brota da experiência pessoal.  
Cada um de nós tem essa experiência. Todos os adictos que encontram a recuperação em Narcóticos / Alcoólicos Anônimos têm provas concretas de um poder benevolente agindo para o bem em suas vidas.
Aqueles de nós que estão em recuperação hoje, afinal, são os afortunados. Vivamos isso um dia de cada vez.
Milhares de adictos morrem sem nunca, infelizmente, terem experimentado o que encontramos no programa, no Poder Superior e nas salas.
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sexta-feira, 7 de julho de 2017

REFLEXÕES SOBRE O TERCEIRO PASSO

Acreditei que fundamentalmente, tudo está bem. Vão me acontecer coisas boas. Acredito que Deus cuidará de mim e me proverá. Não tentarei planejar o futuro. Sei que o caminho me será revelado, passo a passo. Entregarei a Deus a carga do amanhã, porque é Ele quem suporta o peso maior. Ele só espera que eu carregue meu quinhão do dia.
Rendição é apenas o começo. Uma vez rendidos, precisamos aprender a viver na paz que encontramos.
Acredito que a presença de Deus traz a paz e que a paz, como um rio que corre tranquilo, eliminará todas as preocupações. Nesses momentos tranquilos, Deus me ensinará a proporcionar descanso a meus nervos. Não terei medo. Vou aprender a relaxar. Uma vez relaxado, as força de Deus fluirá dentro de mim. Estarei em paz.
Em nossa primeira reunião podemos ter ficado surpresos quando os membros partilharam como a doença da adicção tinha afetado suas vidas. Pensamos: “doença? Eu só tenho um problema com drogas! O que afinal eles estão falando?”
Depois de algum tempo no programa, começamos a perceber que nossa adicção era mais profunda do que nosso obsessivo e compulsivo uso de drogas. Vimos que sofríamos de uma doença crônica que afetava várias áreas de nossas vidas. Não sabíamos como tínhamos “pego” esta doença, mas ao nos examinar percebemos que ela tem estado presente em nós por muitos anos.
Assim como a doença da adicção afeta todas as áreas de nossas vidas, o mesmo acontece com o programa de Narcóticos Anônimos. Assistimos à nossa primeira reunião com todos os sintomas presentes: o vazio espiritual, a agonia emocional, a impotência, o descontrole.
Tratar nossa doença envolve muito mais do que mera abstinência. Usamos os doze passos e, embora não “curem” nossa doença, eles começam a nos fortalecer. À medida que nos recuperamos, experimentamos a dádiva da vida.
O significado de Deus atinge silenciosamente o coração. Não posso saber o momento em que Ele aí entra. Posso apenas julgar pelos resultados. A palavra Deus é dirigida aos lugares secretos de meu coração e, num eventual momento de tentação, pela primeira vez descubro essa palavra e percebo seu valor. Quando eu dela precisar, ela aí estará. “Seu Pai, que vê as coisas secretas, o recompensará abertamente.”




quinta-feira, 6 de julho de 2017

REFLEXÕES SOBRE O PRIMEIRO PASSO

Você é feito de tal maneira, que só pode carregar o peso de vinte e quatro horas, nada mais. Se você se curva sob o peso dos anos passados e dos dias futuros, suas costas quebram. Deus prometeu ajudá-lo a carregar só o peso do dia. se você é bastante tolo para juntar outra vez a carga do passado e carregá-la, então você não pode, na verdade, esperar que Deus o ajude a suportá-la. Esqueça, então, o que ficou para trás e viva a felicidade de cada novo dia.
Completa derrota, que ideias! Isto deve significar rendição. Render-se – desistir completamente abandonar sem nenhuma restrição. Mãos ao alto e abandonar a luta. Talvez, levantar a mão em nossa primeira reunião e admitir que somos adicto.
Como saber que demos um primeiro passo que nos permitirá viver livre das drogas? Sabemos porque, uma vez dado esse passo gigantesco, não temos que usar nunca mais – só por hoje. É isso aí. Não é fácil mas é muito simples.
Nós trabalhamos o primeiro passo. Aceitamos, sim, que somos adictos. “uma é demais e mil não bastam.” Já provamos isso a nós mesmos o suficiente. Admitimos que não conseguimos lidar com drogas de nenhuma maneira. Admitimos isso; proclamamos em voz alta, se necessário.
Damos o primeiro passo ao começar nosso dia. Por um dia. esta admissão nos liberta, só por hoje, da necessidade de reviver nossa adicção ativa novamente. Nós nos rendemos a esta doença. Desistimos. Abandonamos. Renunciamos. Mas, renunciando, vencemos. E este é o paradoxo do primeiro passo: nós nos rendemos para vencer e, em nossa rendição, adquirimos um poder muito maior do que jamais poderíamos imaginar.
Eu me renovarei. Estarei transformado. Para isso, preciso da ajuda de Deus. Seu espírito fluirá através de mim e, ao fluir, varrerá para longe todo o amargo passado. Vou criar coragem. O caminho se abrirá para mim. Cada dia me revelará alguma coisa boa, sempre que eu estiver tentando viver da maneira que acredito que Deus quer que eu viva.
Aprendi que não tenho o poder e o controle que uma vez pensei que tinha. Sou impotente sobre o que as pessoas pensam sobre mim. Sou impotente até por ter perdido o ônibus. Sou impotente sobre como as outras pessoas agem ou deixam de agir. Mas, também aprendi que não sou impotente perante algumas coisas. Não sou impotente perante minhas atitudes. Não sou impotente perante a negatividade. Não sou impotente sobre assumir responsabilidade por minha própria sobriedade. Tenho o poder de exercer uma influência positiva sobre mim mesmo, as pessoas que amo e o mundo no qual vivo.